Segunda edição de Questões do Cotidiano ganha público expressivo com o tema “espiritualidade”

Padre José Augusto durante sua fala
“Questões do Cotidiano” é um evento que faz parte do calendário de atividades da Faculdade Católica que recebe toda terceira terça-feira do mês, um debatedor para tratar de temas da atualidade.
O segundo encontro teve contou com uma participação expressiva de alunos, população, movimentos e pastorais. A abertura feita pelo coordenador dos cursos de extensão da Faculdade Católica, padre Vanildo de Paiva, que deu boas-vindas aos palestrantes e ao público presente. Falou sobre a importância do evento e sobre a missão da Extensão, que é “proporcionar uma interação entre o espírito acadêmico e a comunidade em geral, proporcionando reflexão e debates sobre questões relevantes do dia-a-dia”.
Após as boas-vindas, a coordenadora do Curso de Filosofia, professora Leila Silvia L. S. Tourinho apresentou o palestrante que abriu o evento, professor doutor Luís Henrique Sales Oliveira, ex-aluno da Faculdade Católica que atua como professor na Fepi – Centro Universitário de Itajubá.  Luís explanou, brevemente sobre Merleau Ponty, um filósofo francês do início do século XX, cuja obra mais famosa foi “Fenomenologia da Percepção” de 1945 que trata sobre a sensação e percepção. “Merleau Ponty se importava verdadeiramente com o ato da percepção, imaterial, mental, espiritual” explicou.
Esta explanação foi o ponto inicial para que o professor Padre José Augusto da Silva aprofundasse, junto à plateia, a “Importância da Espiritualidade para a vida”. Com um discurso sereno, mas persuasivo padre José Augusto explicou os aspectos da espiritualidade. “A melhor espiritualidade é aquela que te faz melhor no sentido de fazer perceber o outro!”, salientou.
Ele disse que falar sobre espiritualidade significa fundamentalmente pensar sobre o ser humano. “Dos seres vivos, o homem é o único ser capaz de fazer espiritualidade e estabelecer uma relação com sua origem. Experiência espiritual é aquela que é capaz de devolver o ser humano àquilo que ele é”, explicou.
Segundo ele, quatro são as justificativas para se tratar sobre a espiritualidade: a cultura em crise, um fato que sempre faz com que voltemos à questão religiosa; o cansaço das doutrinas, isto é, uma exaustão existencial dos conceitos; o ser humano em conflito perene; e o desejo do encontro.
Para Leila, o debate assessorado pelo Prof. Pe. José Augusto tratou de um tema fundamental, “Espiritualidade” como dimensão constitutiva do ser humano. “Com um público participativo e interessado, a palestra proporcionou a todos os presentes a abertura necessária para que pudéssemos refletir a importância da espiritualidade em nossas vidas, garantindo assim o equilíbrio existencial do homem”, finalizou.  
O próximo tema do “Questões do Cotidiano” é “A arte de amar” e acontecerá no dia 17 de maio, às 19h30, no auditório da Facapa! Curta nossa página no facebook: Faculdade Católica de Pouso Alegre, e fique por dentro de todos os eventos que acontecem na nossa Faculdade! Venha participar conosco!
Momento de interação com o público presente

Professor Luís Sales Oliveira fala sobre Merleau Ponty

Café Filosófico debate política, ética e poder no último dia 02

Professor Márcio Tangerino fala sobre política, ética e poder no Plenarinho da Câmara
Em meio a um dos períodos mais conturbados da história brasileira é necessário parar, refletir e buscar caminhos para repactuar a busca pelo bem comum, feito que só é possível alcançar por meio da política. Esta foi uma das conclusões que se pode tirar do Café Filosófico conduzido pelo filósofo e professor Márcio Tangerino. Com  o tema 'Política, Ética e Poder: Revisitando Maquiavel', o evento é resultado de parceria entre a Câmara de Vereadores e a Faculdade Católica de Pouso Alegre (Facapa) e contou ainda com o apoio do Inatel Cultural. O evento contou com uma plateia lotada no Plenarinho do Legislativo e foi transmitido ao vivo pela TV Câmara, na tarde de sábado (02).

O coordenador dos cursos de extensão da Faculdade Católica, Padre Vanildo de Paiva ressalta que o objetivo do evento é discutir questões filosóficas de nosso tempo, aliada à tradição do pensamento filosófico, exercitar a argumentação filosófica, praticar a filosofia como diálogo e como debate público, além de possibilitar um exercício da reflexão como contribuição social fora dos ambientes físicos da Faculdade de Filosofia. " O Café Filosófico é uma possibilidade de refletir a as relações pessoais e com a sociedade, numa tentativa de posicionamento diante dos grandes temas atuais, já abordados pela nossa rica tradição filosófica. Trata-se de um encontro de filosofia, num lugar público, onde todos possam participar, independentemente da sua bagagem filosófica. É um espaço de encontro, estudo, reflexão e debate, que busca lançar olhares, a partir da filosofia, para temas relacionados à realidade. Através de um processo de discussão e formação, pretende despertar o desejo de intervenção na realidade" ressalta.

Em uma hora de explanação sobre o tema e mais 40 minutos respondendo a perguntas da plateia, o professor Márcio Tangerino retomou o conceito de política na visão de alguns dos grandes filósofos da história, mas, em especial, sob o espectro de Nicolau Maquiavel, considerado o pai da ciência política. Foi Maquiavel o primeiro a estudar e explicitar a dinâmica entre governantes e governados, e como há nesta relação uma intrincada administração de interesses coletivos e não coletivos. Este enorme jogo de interesses pressiona o governante, cujo objetivo é se manter no poder. Nesta relação complexa está a origem das crises políticas, incluindo a que atravessa o país, afirmou Tangerino.

Como não poderia deixar de ser, as perguntas da plateia relacionaram o tema tratado pelo professor com o atual momento político do país e do mundo. Márcio Tangerino pontuou que movimentos semelhantes ao que ocorre no Brasil podem ser verificados no mundo todo. Para ele, há uma dissociação entre o indivíduo e a sociedade. A busca pelo interesse individual, em detrimento do coletivo, gera uma série de conflitos que contribuem para a radicalização da política e formação de impasses quase permanentes. Questionado sobre a operação Lava-jato, que hoje pauta boa parte do noticiário político no país, o professor criticou seu tom midiático e sua personalização. “Infeliz do país que precisa de um herói”, declarou em referência ao juiz Sérgio Moro.

“Com uma enorme responsabilidade, a de refletir sobre um tema tão polêmico e tão apaixonante, o professor nos conduziu a repensar valores e conceitos e conceber uma realidade que é muito mais complexa do que se supõe na maior parte do tempo. Foi uma tarde enriquecedora para todos. Trata-se, portanto, de um projeto que produz conhecimento e fomenta o debate, base da cidadania plena. É uma honra para a Câmara de Pouso Alegre sediar um evento de tamanha qualidade”, avaliou o presidente da Casa, o vereador Maurício Tutty.

Para a assistente da Escola do Legislativo, Mônica Fonseca, o café filosófico provocou um questionamento sobre “o nosso comportamento diante da nossa cidade, e o que estamos fazemos para contribuir para o bem coletivo”. Segundo ela, “as pessoas passaram a se preocupar e defender interesses particulares deixando de lado o interesse público”, o que explicaria a crise ética que envolve a política.

Analisando a eficácia do evento, a coordenadora do Curso de Filosofia da Facapa, Leila Sílvia Tourinho, considerou que o Café atendeu a todas as expectativas de maneira positiva. “Teve o brilhantismo, a seriedade e o comprometimento filosófico necessário na apresentação do tema pelo Prof. Márcio. Tivemos um público interessado, com perguntas perspicazes, que ajudaram ainda mais a elucidar o debate proposto. E, a presença de um bom número de jovens nos deixou muito feliz”, considerou.